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Sob nossos olhos

Por Antonio Ferro dia em Conexão Mobilidade

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No entendimento deste editor, só teremos segurança e confiança se houver a imunização geral por meio de uma vacina. Sem isso a atuação do transporte coletivo continuará gerando dúvidas

Sob nossos olhos

Editorial

Foi preciso uma pandemia para nos mostrar o óbvio em termos de desenvolvimento. Todo este momento complicado que afeta negativamente o cotidiano das pessoas e seus relacionamentos revelou aspectos fundamentais, porém deixados de lado, no tocante a promover qualidade de vida e o bem-estar dos habitantes das urbes. Com o isolamento social, redescobrimos que a rotina nos escurece quanto a termos essas melhores condições que nos beneficiam de um modo geral.

Liberdade é uma palavra que nos foi tomada de assalto quando o inimigo invisível, porém, poderoso, apontou suas armas e mostrou a que veio, nos deixando reféns até uma solução que impacte positivamente em nossa saúde. Porém, esse mal também serviu para que as pessoas repensassem alguns de seus conceitos amplamente empregados em seus cotidianos. A mobilidade, por exemplo, sofreu um efeito de impacto durante alguns dias em virtude de sua quase total paralisação em cenários urbanos. Entre as cidades, também houve, em várias regiões, redução e até paralisação de serviços de transporte coletivo.

A consequência pelo infortúnio da pandemia trouxe uma transformação em nossas relações. Com a redução do trânsito, as cidades que padecem pelo mal da poluição, observaram o óbvio, descortinando a fumaça presente em sua estrutura, resultando em um ar mais limpo. Outra questão também reconhecida foi o fato da diminuição dos acidentes de trânsito, causadores de muitas mortes em nosso dia a dia. A vida, como ela é e como a tratamos, é um caminho percorrido na mesma toada em relação aos seus desafios. Em muitos momentos nesse trajeto habitual deixamos de lado o olhar das carências nos ambientes em que vivemos.

Com o isolamento social, os automóveis ficaram nas garagens e nas ruas apenas os caminhões e uma parte dos ônibus estavam em operação para o atendimento à sociedade. Impulsionou-se uma significativa redução das emissões poluentes, causando certo espanto a quem há muito tempo não observava um céu tão limpo e azul em determinadas regiões metropolitanas. Certamente, a revelação nos dá o panorama de que, além de causar os congestionamentos, o uso massivo de automóveis proporciona um alto índice de poluição e suas nefastas reações à saúde pública.

Com isso, é possível entender que o transporte público é essencial para reduzir os males causados pelos excessos dos automóveis. Cidades comprometidas com a satisfação de suas populações já adotavam, antes da pandemia, políticas públicas para reverter o quadro negativo oriundo do transporte individual, abraçando medidas de estímulo ao modelo coletivo ou não motorizado.

Aqui no Brasil, os ônibus são a mola mestra dos deslocamentos coletivos em áreas urbanas, sendo fundamentais no ir e vir das pessoas, mesmo neste momento tão crítico. Porém, o sistema padece da falta de investimentos governamentais quanto a oferta de melhores condições operacionais. Há muitos anos vem perdendo seus clientes frente a presença de outros concorrentes mais atrativos em termos de conforto e rapidez. O modal parou no tempo, com pouquíssimas medidas para ser modernizado, apesar do conhecimento de causa que temos em se tratando de estruturação e viabilidade técnica e econômica.

E, em tempos de coronavírus, a atuação do ônibus tem sido questionada em função da insegurança causada pela proximidade das pessoas quanto ao aumento do contágio desse mal de saúde. É legítima a preocupação, pois, infelizmente, os riscos ainda são grandes. No entendimento deste editor, só teremos segurança e confiança se houver a imunização geral por meio de uma vacina. Sem isso a atuação do transporte coletivo continuará gerando dúvidas quanto a insalubridade promovida no modal. Logo, enquanto uma solução definitiva não chega, precisamos nos adaptar, algumas medidas adotadas nos veículos, como o isolamento com acrílico e cortinas entre poltronas ou mesmo a retirada de cortinas como foco de retenção e disseminação do vírus ou mesmo a limitação do número de passageiros por viagem, são paliativas e temporárias e não dão conta de oferecer a devida normalidade à operação.

Não para um novo normal, como muitos estão enfatizando por aí, mas para uma realidade diferente, com o desafio de evitar a propagação do referido mal por meio do aumento do distanciamento pessoal e da ampliação da oferta de serviços.

Ainda no contexto negativo motivado pelo uso do ônibus, volta à cena o crescente uso do automóvel, representando a promoção de um isolamento para aqueles que necessitam se deslocar e a volta dos congestionamentos e das emissões poluentes. Prova disso é que em muitos países que já relaxaram a quarentena, a indústria automobilística explora o momento para que seus negócios retornem aos índices de vendas de antes da pandemia, destacando que o automóvel é a melhor maneira para se prevenir do contágio. Mais do que nunca, o segmento precisa do apoio governamental para sobreviver e continuar com o seu papel indispensável na mobilidade.

A crise atormenta o segmento de ônibus urbano brasileiro há muito tempo. Resta saber se a mudança de sua imagem desgastada será promovida no período pós-Covid. Lembrando que essa transformação já poderia ter sido realizada, pois todo o conhecimento das causas que levaram a atual situação negativa do modal esteve, antes mesmo da pandemia, sob nossos olhos, porém com pouca ação à reação em cadeia fixada à sombra do desinteresse por parte das gestões públicas municipais quanto ao incentivo e investimento para proporcionar melhores condições (conforto, rapidez, priorização, previsibilidade e rentabilidade) à esse meio de transporte.

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