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Homenagem da Marcopolo à Revista AutoBus

O ônibus elétrico e o Brasil

Por Antonio Ferro dia em Conexão Mobilidade

O ônibus elétrico e o Brasil
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Se somo ricos em vendas de ônibus, do modelo mais simples para uso em cidades, não temos o costume de planejar ou mesmo acompanhar a evolução do modal e seus alcances positivos

Editorial

Vamos acompanhar o raciocínio das importantes cidades mundiais que estão implantando em seus sistemas de transporte coletivo a eletromobilidade. São muitos os exemplos de operação dos ônibus elétricos, com suas novas gerações formadas por modelos equipados com baterias. Até o tradicional conceito do trólebus, versão ligada à rede aérea, já pode ter baterias extras para operar em áreas onde não há infraestrutura necessária à sua função, sem perder sua essência para o transporte limpo. Um grande avanço, correto? Sim, essencial para por fim às emissões poluentes vindas dos sistemas de transporte.

Porém, como essas localidades do primeiro mundo adotaram o conceito da eletricidade em seus ônibus? Primeiramente, é bom lembrar que houve a instituição de fases para o uso cada vez mais frequente dessa tração. Tudo começou com a utilização da propulsão híbrida, aquela com o princípio de dois motores - um a diesel e outro elétrico, e que ainda é comercializada no mercado europeu e em outros países fora daquele continente. Essa versão preparou terreno para o modelo 100% elétrico, com baterias, ganhar impulso na atualidade. Podemos ver que, a cada dia, mais e mais mercados estão comprando os novos ônibus.

E como isso foi possível? Em primeiro lugar, as mudanças climáticas deram e dão o tom para a transformação dos sistemas de transporte. Mesmo com o domínio do motor a diesel nas suas frotas de ônibus urbanos, as cidades compromissadas em mitigar os efeitos negativos da poluição começaram a investir em novas tecnologias. Governos também planejaram e apresentaram metas e programas de apoio à substituição dos tradicionais veículos com motores de combustão interna. Esses aspectos fomentaram a indústria a desenvolver um ciclo veicular, com todos os elementos capazes de proporcionar a redução das emissões poluentes. E até hoje esse ciclo vem trazendo inovações no quesito da tração elétrica, com o constante desenvolvimento de baterias e de seus sistemas de recarga. Além disso, organizações não governamentais avaliam e também incentivam o emprego da tecnologia, propondo mudanças e inovações em termos de powertrain. O que era tendência virou sinônimo de futuro. Afinal, a eletricidade é o combustível que moverá o modal amanhã ou depois de amanhã. É um caminho sem volta na visão de especialistas, administradores públicos e fabricantes.

Pelo mundo, a China detém o maior número de ônibus elétrico em operação, resultado de uma ampla ajuda governamental. No continente europeu, seguidas compras do veículo colocam a região como um cenário bem promissor, enquanto que os Estados Unidos, Chile e Colômbia são os principais exemplos na América. E o suporte governamental foi fundamental para a substituição das frotas . E o Brasil, como fica nesse caso?

Na visão do WRI (World Resources Institute), faltam políticas públicas que estimulem a adoção de ônibus elétricos, e uma das razões pelas quais isso ocorre é a falta de interesse genuíno e pensamento pragmático das cidades, agências de trânsito e empresas operadoras do transporte coletivo. Ainda, na opinião da entidade, por vezes, licitações obsoletas emperram a transição e é comum que as concessões no transporte coletivo durem décadas. Enquanto, no mundo todo, a adoção de sistemas limpos de mobilidade e transporte se mostra mais urgente a cada ano, boa parte do transporte coletivo ainda opera segundo regras do início do século, que estimulam a compra de veículos com grande autonomia e longa vida útil e acabam por desestimular a aquisição de ônibus zero emissões.

Por aqui, São Paulo e Campinas são as cidades com as maiores frotas de ônibus com baterias. Há outras, porém com um número bem menor de veículos. Infelizmente, não vemos o estabelecimento de um programa de governo específico para estimular a escala comercial desse tipo de veículo. O que se vê são ações isoladas, não coordenadas no sentido de se conhecer de fato a tecnologia, propor formas de financiamento para a compra e operação do conceito tecnológico e estipular uma data para de fato a transição acontecer.

Também é preciso dizer que, com a racionalização e a priorização dos serviços de ônibus nas cidades, permitindo melhor fluxo aos veículos por meio de corredores exclusivos, pode-se alcançar índices satisfatórios de redução das emissões poluentes, mesmo com a operação de modelos equipados com motores a diesel das novas gerações.

Se somo ricos em vendas de ônibus, do modelo mais simples para uso em cidades, não temos o costume de planejar ou mesmo acompanhar a evolução do modal e seus alcances positivos. Necessitamos de uma orientação e um trabalho minucioso se o intuito é a mobilização em prol da melhor qualidade de vida e do ar que respiramos.

Imagem - Revista AutoBus

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