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Gás natural para ônibus urbano: para tirar o atraso

Por Antonio Ferro dia em Conexão Mobilidade

Gás natural para ônibus urbano: para tirar o atraso
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A tecnologia do gás natural para o transporte público se encontra em um momento muito favorável e avançado para ser reconhecida como a transição à um modelo totalmente limpo de mobilidade

O setor de gás natural para frotas de ônibus urbanos vive um momento totalmente diferente daquele em que se encontrava há mais de 25 anos aqui no Brasil. Houve uma evolução de conceitos, tanto na tecnologia veicular, como na disposição do combustível no mercado brasileiro e nos recursos tecnológicos de abastecimento. “Precisamos espantar os fantasmas do passado”, sintetizou Gustavo Galiazzi, gerente técnico da Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado) nesta conversa com a revista AutoBus.

Galiazzi está nesse setor desde 1985, quando começou a acompanhar o uso do gás natural em veículos pesados. Naquela época, 70% do diesel consumido no Brasil era importado e o gás já podia ser reconhecido como uma alternativa imediata para a sua substituição. “Ainda hoje, com todos os avanços alcançados, sua viabilidade técnica é muito atrativa e pode fazer parte da matriz energética dos transportes aqui no Brasil”, explicou.

Para tirar o atraso

Gustavo Galiazzi

Entretanto, para ser um mercado altamente competitivo, a Abegás luta pela adoção de políticas públicas que incentivem o maior uso desse combustível e que novos players possam aumentar a concorrência na distribuição e comercialização do produto. E com o Pré-Sal, o potencial brasileiro é muito significativo, capaz de atender à uma variada demanda, tanto em mobilidade, como na produção de energia. Até alcançarmos a totalidade do uso das energias renováveis para diversas aplicações, o gás natural é a transição de baixo impacto ambiental e com viabilidade econômica.

O passado e a evolução

Os problemas que aconteceram no passado com a motorização a gás foram superados. Atualmente, há um domínio da tecnologia e no desenvolvimento dos motores, estes trazendo a eletrônica embarcada e um nível muito baixo de emissões poluentes em comparação ao diesel. O passado ainda pode assustar quem não conhece a nova realidade da motorização a gás para veículos pesados.

Exemplos em operação

O uso de gás natural em frotas urbanas de ônibus pelo mundo pode ser observado em vários exemplos. Em Los Angeles (EUA), a LA Metro, operadora do transporte coletivo local, conta com 2.400 veículos, todos abastecidos com gás desde 2011, quando resolveu transformar sua frota para o uso desse combustível. Depois de oito anos, a transportadora está experimentando misturar junto ao gás natural o biometano para alcançar a emissão zero de seus veículos.

Para tirar o atraso

Operação de ônibus a gás natural em Los Angeles

A Suécia começou seu programa de uso do biometano há 20 anos. Mas precisou utilizar o gás natural no princípio de seu projeto de sustentabilidade ambiental. Hoje, 90% da tração dos ônibus urbanos de Estocolmo é feita pelo biometano, sendo complementado pelo GNV em virtude das baixas temperaturas de seu inverno.

Na Espanha, muitas cidades usam o gás em seus sistemas de transporte público, assim como Portugal, Itália, Suécia, Alemanha, dentre outros.

Para tirar o atraso

Na América Latina, a Colômbia se destaca por ter dois grandes sistemas de ônibus urbanos movidos a gás, enquanto que a Argentina tem um programa embrionário para introduzir de forma gradativa a tração alternativa. O México também segue essa linha de operação sustentável em corredores.

O abastecimento

O Brasil conta com uma rede capilarizada em sua região costeira e próxima a ela. Importantes regiões econômicas do País já são abastecidas com o gás natural.

Hoje, por falta de demanda, o Brasil ainda não conta com infraestrutura completa para abastecimento rápido de veículos pesados, contudo a tecnologia é acessível e pode ser importada com facilidade.

E as operadoras podem ter sistemas terceirizados de abastecimento, não havendo a necessidade de investimento nessa estrutura.

O que falta

O poder público, em suas três esferas, precisa ter mais vontade de promover o maior uso do gás natural no transporte coletivo. Por isso, políticas públicas de incentivo na aquisição dos veículos equipados com motorização a gás são necessárias no segmento (custam entre 15% a 18% mais caros). O gás natural traz um benefício direto em termos ambientais e em saúde pública. Por exemplo, em relação ao material particulado, é possível ter uma redução de 85% em comparação com o diesel. Isso é um importante ganho social para as cidades.

No ano passado, a Abegás realizou um seminário para mostrar todas as vantagens do gás na mobilidade urbana. Dentre os participantes, um representante da Suécia disse que o Brasil está 30 anos atrasado em relação ao uso do gás no transporte. Para ele, há uma janela que deve ser aproveitada em função do País já contar com tecnologia veicular semelhante ao que se encontra nos países do primeiro mundo.

O futuro

Reafirmo que o combustível tem o poder de reduzir imediatamente os efeitos nocivos causados pela poluição do transporte. Segundo especialistas ambientais, a simples substituição de 10% da frota movida a diesel por gás natural, pode representar um impacto de 25% na melhor das condições da saúde pública. Ainda, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a fumaça negra ou o material particulado, é o quarto fator que mais promove problemas cardiovasculares nas pessoas.

Outro aspecto é que o Brasil conta com um expressivo potencial na produção de gás natural, o que permite atender o mercado nacional em sua demanda veicular. E volto a dizer, vivemos um momento inverso ao que aconteceu no passado, com diferenças marcantes e positivas em tecnologia dos propulsores, na distribuição do combustível e na capacidade de abastecimento dos veículos.

Los Angeles roda com gás

Com suas práticas ambientais adotadas para proporcionar um ambiente mais limpo, livre das emissões poluentes, a LA Metro, operadora do transporte coletivo na área de Los Angeles, Califórnia, apostou no gás natural para movimentar sua frota de ônibus desde 2011, transportando hoje cerca de 1,3 milhão de passageiros por dia. De lá para cá, ela conseguiu reduzir em 40% as emissões de óxido de nitrogênio. E continua investindo na modernização dos propulsores de seus ônibus, adquirindo novas versões que apresentam um índice cada vez menor de poluentes emitidos. 

Para tirar o atraso

Junto com o gás natural, desde 2017 a operadora começou a utilizar 10% de biometano. A previsão é que para este ano ela alcance 100% com o combustível renovável.

E até 2030 a frota de ônibus deverá ser eletrificada, de acordo com o plano ambiental da LA Metro, com energia derivada de fontes renováveis, reduzindo suas emissões poluentes, expandindo as ações para melhorar ainda mais o ar na região metropolitana de Los Angeles e proporcionar qualidade de vida.

O gás movimenta as frotas europeias

Na Europa, o gás natural já move os veículos comerciais há um bom tempo. Hoje, 16 mil ônibus estão equipados com propulsores a gás e são encontrados em diversos países, como Espanha, Suécia, Itália, República Tcheca, dentre outros. Para isso, políticas públicas foram sendo adotadas ao longo dos anos como forma de incentivar o combustível na matriz energética dos transportes.

Para a NGVA, associação europeia que reúne os fabricantes de veículos a gás, componentes e associações de defesa, o combustível é uma solução para um sistema de transporte descarbonizado. Segundo a entidade, a Europa tem que promover uma redução de 40% de suas emissões poluentes (abaixo dos níveis de 1990) até 2030 e necessita adotar um conjunto de medidas que visem um ambiente mais limpo, promovendo o desenvolvimento e a implementação de tecnologias com baixa ou nenhuma emissão, com eficiência em termos de custo e operação.

Para tirar o atraso

O papel do gás natural nesse quesito é expressivo e contribui com os objetivos ambientais determinados para um futuro sem carbono. Neste período de transição para a eletromobilidade, o biometano ou o gás renovável, como se fala na Europa, é um grande auxiliador quando o assunto é reduzir as emissões de gases de efeito estufa, sendo perfeitamente compatível com a mistura. Se o gás natural representa uma diminuição de 20% do CO² emitido no sistema de transporte em relação ao modelo a diesel, o biometano tem o poder de alcançar até 95% menos poluição. O potencial europeu de produção desse biocombustível em 2030 é estimado em 45 bilhões de metros cúbicos, volume que supera a demanda de abastecimento dos 13 milhões de veículos estimados para o referido ano.

Além do gás natural comprimido e biometano, surge com força o uso do gás natural liquefeito para operações rodoviárias, tanto em ônibus, como em caminhões, no mercado europeu, opção capaz de atender aos serviços de longas distâncias (1.600 km).

Imagens - Divulgação Scania México, Divulgação MAN, LA Metro, Juan Saavedra, Divulgação ABEGÁS

 

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