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A agenda ambiental que falta para as cidades brasileiras

Por Antonio Ferro dia em Conexão Mobilidade

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A iniciativa de Buenos Aires poderia muito bem ser adotada por alguma grande cidade brasileira para se alcançar o conhecimento, de modo real, sobre os conceitos tecnológicos produzidos por aqui em termos de ônibus limpos

O governo da capital argentina Buenos Aires foi prático e objetivo ao criar, em dezembro de 2017, o Plano de Mobilidade Limpa, em que se propôs reduzir as emissões de gases de efeito estufa, como o CO2, e os de efeito local, que são conhecidos por óxido de nitrogênio (NOx) e material particulado (MP), a famosa fumaça preta, oriundos do transporte, que é responsável por 30% das emissões poluentes na cidade.

Em paralelo ao que se dispõe o governo municipal em termos de sustentabilidade ambiental, colocou-se em ação um plano piloto para a avaliação das tecnologias limpas para a tração dos ônibus urbanos locais. Quis se conhecer a viabilidade técnica, operacional, econômica e ambiental de grupos tecnológicos com baixas emissões, bem como analisar a uma eventual penetração da tração limpa no transporte coletivo, eliminando barreiras à sua implementação, procurando assim reduzir significativamente o impacto causado ao meio ambiente.

Com isso, em 2019, três formas de tração tiveram iniciadas seus testes e avaliações – biocombustível, gás natural e eletricidade -, com dois ônibus, respectivamente, a cada modelo de propulsão. Segundo o governo de Buenos Aires, foi constatado que existe a diferença entre o uso da tecnologia limpa e o nível de investimento para sua implantação, sendo que, quanto mais limpa a tecnologia a ser incorporada, maior deve ser o investimento. Os organizadores dos testes ressaltaram que é importante considerar que a transição para uma frota de baixa emissão deve incluir todas as tecnologias.

Dois anos depois, a cidade apresentou os resultados provenientes dos testes. Todos os ônibus foram colocados em operação em condições normais na comparação com os veículos movidos a diesel. Resumidamente, as três versões de combustível revelaram prós e contras quanto a benefícios ambientais e custo operacional. O biodiesel 100%, por sua sua facilidade técnica e operacional, surge como primeira opção na implementação de novas alternativas. A infraestrutura necessária para desenvolvê-lo é quase nula ou muito baixa em comparação com as outras modalidades de combustível; sua implantação requer baixo investimento; reduz as emissões de gases de efeito estuda, mas não é tão benéfico em termos de emissões de gases tóxicos locais (qualidade do ar); e não reduz a poluição sonora.

Já os ônibus movidos a gás natural foram homologados pelo Instituto Nacional de Tecnologia Industrial (INTI) e obtiveram a correspondente autorização por meio da Entidade Reguladora do Gás Nacional (Enargas). Os resultados dos testes com esse combustível indicam que o gás é um passo intermediário em direção à energia limpa, sendo uma opção um pouco mais complexa de implantar, técnica e operacionalmente, porque requer infraestrutura de abastecimento e de recarga; não apresenta reduções significativas nas emissões de dióxido de carbono, pois se trata de um combustível fóssil; apresenta uma vantagem em termos de saúde e qualidade do ar, pois tem uma combustão mais limpa; e quanto ao ruído, é mais silencioso que o veículo com motor de combustão movido a diesel.

Quanto aos ônibus elétricos, é a opção mais limpa e menos poluente, pois não há emissões de gases tóxicos para a saúde e a poluição sonora é zero; no entanto, seus altos custos de investimento, a disponibilidade de energia e a implantação da infraestrutura de recarga elétrica, além da vida útil das baterias, constituem como barreiras que existem até hoje e retardam a sua chegada. Dado o preço dos ônibus elétricos e as características da tecnologia, é necessário pensar em diferentes modelos de negócios quanto a investimento e financiamento do seu custo operacional.

Em Buenos Aires há 135 linhas de ônibus, com 9.645 veículos. Em termos de CO2, o transporte coletivo local é responsável pela emissão de apenas 2% de CO2, porém, quando se fala em óxido de nitrogênio e material particulado, os índices crescem, 12% e 21,8%, respectivamente. Para efeito das análises, foi utilizada a telemetria para se obter os dados de performance de cada ônibus envolvido com o plano ambiental.

As montadoras Agrale e Scania disponibilizaram seus chassis com propulsores a biodiesel Euro V. Ambas as montadoras também forneceram seus chassis equipados com motores a gás natural. Já a fabricante chinesa Yutong proveu os ônibus com tração elétrica.

A iniciativa de Buenos Aires poderia muito bem ser adotada por alguma grande cidade brasileira para se alcançar o conhecimento, de modo real, sobre os conceitos tecnológicos produzidos por aqui em termos de ônibus limpos. A união entre a indústria, governos e operadores poderia resultar em benefícios e vantagens aos sistemas de transporte coletivo sobre pneus e para os habitantes das cidades.

Se cada tipo de tração apresentou ganhos ou foi desfavorável ao contexto, o uso de novas tecnologias pode encontrar barreiras frente ao consagrado uso do diesel convencional na matriz energética do transporte coletivo. Vamos aprender com los hermanos porteños e colocar em prática um plano que tende a nos mostrar quais serão as melhores tecnologias para cada localidade brasileira. O Brasil poderia se transformar num especial campo de provas, ser um exemplo mundial na adoção de biocombustíveis e de outros tipos de tração, consagrando o ônibus nos ambientes urbanos.

Imagem - Governo de Buenos Aires

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