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CORRENDO ATRÁS DAS SOLUÇÕES PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Antonio Ferro 

A capital fluminense hospeda evento voltado para a busca de propostas para a mobilidade e redução da poluição urbana no transporte frente ao ritmo acelerado de crescimento das grandes cidades da América Latina.

A Convenção Mobilidade Sustentável da Renovação Urbana, realizada no Rio de Janeiro durante os dias 25 e 26 de novembro, destacou os mais urgentes desafios para que os centros urbanos (acima de 500.000 habitantes) localizados na América Latina possam sair do colapso que estão se envolvendo em termos de transporte coletivo, mobilidade urbana e degradação ambiental (redução das emissões poluentes provenientes dos gases de motores de combustão interna). Organizado pelo CTS Brasil (Centro de Transporte Sustentável), que atua em parceria com governos e empresas para desenvolver soluções sustentáveis para os problemas de transporte e mobilidade nas grandes cidades, e pelo Challenge Bibendum, da fabricante de pneus Michelin, o evento tem o caráter de divulgar, através da participação de autoridades, especialistas e montadoras, como os modelos de infra-estrutura e transporte podem melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, não apenas no que diz respeito à mobilidade, mas também quanto à preservação ambiental, segurança veicular e acessibilidade dos passageiros portadores de necessidades especiais.

 
 

O transporte coletivo na região citada é predominantemente realizado por ônibus. De acordo com dados do Observatório de Mobilidade Urbana (OMU) para a América Latina, cerca de 89% dos deslocamentos diários são feitos por esse veículo. No que tange a poluição, o referido transporte emite em torno de 25% de CO2 na atmosfera, enquanto que o modelo individual (automóveis e motocicletas) é responsável pela maior parte da emissão (73%).
Adriana Lobo, diretora do Centro de Transporte Sustentável (CTS) do México, enfatizou que as ações de mobilidade voltadas para a sustentabilidade fez a cidade do México diminuir em 10% a participação do transporte coletivo após a implantação do Metrobus (sistema de BRT da capital) em 2005. “Com a operação do Metrobus, o trajeto na cidade do México, que antes demorava de 2 a 3 horas e meia, teve o tempo reduzido em 50% e o índice de acidentes, uma queda de 50%. Além disso, o novo sistema de transporte proporcionou uma redução de 80 mil toneladas de CO2 emitidos na atmosfera”, disse ela. A executiva do CTS-México ainda mostrou que houve uma redução de 35% de partículas, de 59% de benzeno e de 53% de monóxido de carbono.
 
 Adriana Lobo, do CTS México diz que sistemas organizados e com total
 separação promovem uma profunda melhoria em toda a cidade.
 Fotos - Divulgação/Convenção Mobilidade Sustentável

Seguindo esse mesmo raciocínio, Suzana Kahn Ribeiro, secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, concordou que o setor de transporte pode contribuir para o esforço da redução dos poluentes, com medidas tecnológicas e com foco no veículo e no combustível. “Hoje estamos emitindo cerca de 45 bilhões de toneladas de CO2. Se nada for feito chegaremos em 2030 com uma concentração de 70 bilhões de toneladas de CO2, um volume que elevará em mais 2 graus a temperatura do planeta por ano”, mostrou ela.
Pelo lado da indústria, a solução tecnológica já existe e pode ser encontrada com facilidade por aqui. José Antonio Fernandes Martins, presidente do Simefre (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários), falou sobre a necessidade de investimentos em infra-estrutura viária para a correta operação com ônibus de grande capacidade de transporte. “Nossa capacidade para produzir ônibus que atendam a qualquer requisito no transporte urbano é enorme. Mas de nada adiantam os veículos apropriados para sistemas integrados, se no Brasil são apenas 260 quilômetros de corredores de ônibus, por exemplo, se disputamos espaço com o transporte irregular e os automóveis particulares, convivemos com uma frota antiga e com políticas que incentivam o transporte individual”, destacou Martins.
 
 BRT - Solução de curto prazo e com custos reduzidos

Jaime Lerner, arquiteto e urbanista que criou o modelo de BRT, corroborou com as vantagens desse conceito. “Esse sistema possui um ciclo de alta freqüência, alimentadas por diversos ramais, vindos de diversas áreas. Um ônibus com capacidade para 300 passageiros, com intervalo de tempo de 1 minuto entre cada um, conduz 18 mil pessoas por hora. O prazo para implementação de um sistema completo é de três anos, a um custo 10 vezes menor”, disse ele.
E o Bus Rapid Transit (BRT) mereceu amplo destaque no acontecimento carioca. As principais montadoras brasileiras de chassis para ônibus expuseram seus produtos e assessorias voltadas para os corredores rápidos de ônibus. A Mercedes Benz do Brasil participou da Convenção com o ideal de implantação do BRT para maior mobilidade de turistas e torcedores durante a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. “A implementação de sistemas de transporte de alto desempenho, eficientes e ecologicamente sustentáveis consta mundialmente da agenda de planejadores urbanos e ambientais. Estas modalidades projetam a migração do transporte individual para um atrativo transporte coletivo, com segurança e conforto para os passageiros e com benefícios ambientais, como redução de emissões e diminuição de congestionamentos”, disse Gustavo Nogueira, especialista em Sistemas BRT da área de Marketing de Produto – Ônibus da Mercedes-Benz. O engenheiro ainda atentou para o fato de o sistema BRT ser considerado um projeto bastante viável para o setor de transporte, pois tem capacidade para 43 mil passageiros por hora e pode ser implantado com maior rapidez. “O seu custo é avaliado em US$ 10 milhões. Em relação ao sistema ferroviário, que exige aporte de US$ 40 milhões para ser implementado, ainda é mais barato”, revelou.
 
 Ônibus com maior capacidade de transporte é o mote nos sistemas BRT

Já a Scania levou o seu ônibus movido por combustível renovável, o etanol, que iniciou seus testes pelas ruas de São Paulo, conforme já destacado nesta revista. Com isso ela quis mostrar todo o benefício ambiental promovido com o uso do combustível verde e ampliar a disseminação dessa idéia que encontra respaldo há um bom tempo em um país que não produz o tradicional etanol de cana-de-açúcar, mas que o utiliza em larga escala.
A Volvo também esteve presente no acontecimento carioca expondo o seu chassi B9Salf bi articulado (piso baixo integral), o maior ônibus urbano do mundo, com 27m e que atrai a atenção de muitos órgãos gestores que projetam a implantação de novos sistemas BRT em um futuro bem próximo.

27/11/2009