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Editorial A marca Busscar Ônibus tem uma tradição em nosso país. Todos os envolvidos com o setor de ônibus sabem da capacidade da empresa em promover uma qualidade ímpar em seus modelos de carroçarias, desde quando ainda era conhecida como Carrocerias Nielson, até 1989, ano em que apresentou uma nova linha de ônibus e modificou sua marca para Busscar. Fundada em 1946 em terras catarinenses, a Nielson e logo a seguir Busscar é conhecida no mercado mundial de ônibus por proporcionar inovação, eficiência e capacidade na concepção de seus produtos. Não há empresário brasileiro do transporte rodoviário de passageiros que não conheça o seu nome. Além disso, no cenário global, sua representatividade pode ser comprovada pela extensa presença em muitos países. Mas uma crise, com início nos primeiros anos do século 21, parece não querer se afastar da rotina administrativa da empresa. Seja lá atrás por questões societárias ou a mais recente, em decorrência da tempestade financeira mundial, com a falta de crédito e a desvalorização do real, a vida da encarroçadora tem encontrado muitas dificuldades para se manter fiel aos seus propósitos, com reflexos negativos em sua produção. De acordo com o jornal A Notícia, de Joinville, onde está a sede da empresa, as dívidas estão na casa de R$ 25 milhões, mas em contrapartida ela pede ao Governo Federal a liberação de créditos de IPI na ordem de R$ 600 milhões, o que com certeza dará uma fôlego à encarroçadora e promoverá uma nova era em sua trajetória. O plano de demissão voluntária em vigor aos seus funcionários tem sido uma alternativa para aliviar suas contas. Outro detalhe é que a encarroçadora, apesar de todas as dificuldades, concede licença remunerada para muitos de seus colaboradores. Cabe aqui lembrar que no passado e hoje muitos boatos deram o tom de desprestigiar a marca, sempre focando que sua falência está prestes a se concretizar ou então, que antes que feche suas portas, seja vendida para quem se interessar pelo ramo. Não é bem assim. A Busscar tem um nome a preservar. Se ela perde, quem também sofre uma derrota é o Brasil, pois deixa de existir um legado importante no transporte de passageiros. Uma análise mais profunda talvez nos leve a entender o que realmente acontece e como pode haver uma solução apaziguadora, onde todos saiam ganhando e o trabalho dessa catarinense incansável possa continuar. Muitas empresas brasileiras possuem suas dívidas. O que mais causa indignação são os clubes de futebol que têm déficits astronômicos e nem por isso são convidados a decretarem suas falências. Por isso preservar essa marca de ônibus é de fundamental necessidade para que o setor mantenha seu reconhecimento de modernidade e com muito potencial em sua produção. Antonio Ferro 30/01/2010
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