O ônibus do futuro e o futuro do ônibus

O ônibus do futuro já está em desenvolvimento há tempos, pelo menos no velho continente. Mais precisamente, foi nos anos de 1960 e 70 que o modal urbano ganhou impulso pelas mãos do poder público de diversos países, fabricantes de ônibus e sua tecnologia e de associações entre especialistas que defendem a modernização do veículo.

Tal mobilização ainda perdura até hoje, representando uma forma salutar no enredo do desenvolvimento urbano. Afinal, o ônibus é um instrumento essencial para as cidades, mesmo sendo a segunda via em termos de transporte de massa na Europa (sistemas sobre trilhos são protagonistas na mobilidade urbana local).

Programas que buscam incentivar projetos e conceitos para o ônibus do futuro são um diferencial no setor de transporte público.

Notoriedade não falta quando o assunto é pensar em como o veículo pode evoluir junto aos mecanismos que proporcionam maior velocidade, comodidade e sustentabilidade.

Design, propulsão, sistemas de comunicação e condução, acessibilidade, conforto, desempenho, eficiência e inteligência são aspectos constantemente debatidos, estudados e pesquisados por quem tem o compromisso com a aplicação de soluções viáveis e qualificadas em prol de cidades ideais, humanas e avançadas para seus habitantes.

As tendências já estão aí, muitas até em uso comercial, prova que não se perde tempo com “o que”, “onde”, “porque”, “como” etc.

Cá do outro lado do Atlântico, em terras tupiniquins, ainda discutimos o futuro do ônibus em meio ao complexo sistema operacional nos cenários urbanos.

Aqui o modal é refém de muitas circunstâncias que desfavorecem seu desempenho e sua funcionalidade. Falta de prioridade, desequilíbrio econômico, insegurança (jurídica, patrimonial e do cidadão), desvalorização, relações espúrias entre poder público e operação e a carência de iniciativas que permitam sua modernização são enormes desafios embutidos no cotidiano do ônibus.

É preciso o interesse dos envolvidos com o setor para resolver as pendências coladas no modal em meio ao caos do deslocamento entre os poucos espaços disponíveis para o transporte público e não motorizado. A crise vivida pelo ônibus parece não ter fim e, infelizmente, não vemos movimentos para reduzir as desigualdades entre os meios de transporte, convivendo com distorções nos modelos de negócio da mobilidade – favorecimento ao transporte individual em detrimento ao coletivo – fruto da inércia de instituições públicas e suas gestões que não reconhecem o caráter benéfico do ônibus.

Sem fazer comparações com o rico continente, não há como não admitir que estamos bem atrasados (apesar do ônibus ser o nosso principal meio de transporte de massa) em relação ao que queremos no amanhã (tendências para o futuro do modal?). Parecemos aquele passageiro que deixou o ônibus passar no ponto e depois corre atrás para tentar alcançá-lo. Precisaremos de muito fôlego para tal.

Imagem – Arquivo AutoBus