Planos de metas

Atitudes controversas, na maioria dos casos, podem causar prejuízos relevantes à toda sociedade. Agir sem pensar nas consequências ou mesmo se isentar perante a problemas de ordem estrutural e ambiental, têm sido uma tônica constante de gestões municipais nos últimos anos no Brasil. Mais compromissadas com o lado partidário e menos com o desenvolvimento urbano e qualidade de vida, essas administrações públicas deixam de aplicar políticas que poderiam proporcionar avanços significativos, principalmente em mobilidade, fator tão discutido e comentado nos dias de hoje.

Mas, é preciso que cada cidade faça seu dever de casa e elabore planos de metas, por meio de lei, com critérios que objetivem a promoção do desenvolvimento sustentável, inclusão social, entre outros. Prefeitos eleitos ou reeleitos precisam dar continuidade à projetos e programas pré-estabelecidos em um processo de planejamento para se construir cidades mais humanas.

Diversos setores e áreas sofrem com os descasos do poder público em função de escolhas que não atêm como soluções viáveis, deixando de lado propostas e melhorias que são plataformas de um gestor, mas não escolhidas por outro, seja sucessor ou não. Quer um exemplo? Recentemente, o jornal chileno El Espectador mostrou que o ex-presidente Sebastián Piñera, ao se candidatar para a eleição presidencial que acontecerá em novembro deste ano no Chile, tem como plataforma o desmonte do sistema Transantiago de ônibus urbanos da capital, dando lugar à um forte investimento no sistema metrô local.

É impossível uma grande cidade ter apenas um tipo de modal para o seu transporte coletivo. Seja para atender a demanda de deslocamentos e pela inviabilidade econômica. Não seria mais lógico o referido candidato chileno promover um resgate da imagem do Transantiago, já que ele cita que o sistema se encontra desvalorizado, e ampliar a rede de transporte público visando uma mobilidade eficiente? Apresentar propostas para renovar o conceito dos serviços de ônibus, permitindo assim que eles se tornem de qualidade (em termos ambientais, um grande passo, pois Santiago dá um significativo exemplo aos países sul-americanos ao adotar a norma Euro VI em seus futuros ônibus para atender a nova licitação do transporte local), deveria ser o seu plano de metas para uma melhor cidade.

A poluição gerada pelos sistemas de transportes tem matado silenciosamente milhares de pessoas anualmente no Brasil, sem que se observe, neste momento, uma preocupação da adoção de rígidas normas para o controle da mesma e também no maior incentivo às tecnologias alternativas que contribuam com a mitigação dos gases poluentes. O contexto também se insere na carência de plataformas políticas que visem um ambiente mais limpo. Não é comum ver gestores públicos relatarem suas atitudes direcionadas à um bem maior relativo à saúde dos cidadãos urbanos.

Os efeitos nocivos causados pelas emissões poluentes dos veículos automotores já são bem conhecidos. Os problemas e as causas deveriam ser tratados com maior atenção e a questão deve, prioritariamente, estar incluída nos potenciais planos de metas. Devemos cobrar esse compromisso ambiental antes que seja tarde demais.

Imagem – Reprodução Internet