Os caminhos da falência

Li, em certa ocasião, que a falência de um negócio começa muito antes do ato consumado. Ela inicia seu processo a partir da desmotivação do proprietário ao não imprimir uma estratégia que mantenha em vigor seu interesse à atividade que atual, não se adaptando às constantes mudanças de mercado e ao perfil da organização.

Recentemente, mais uma empresa de ônibus urbano do Rio de Janeiro fechou as portas. A Transportes Santa Maria é a sétima operadora carioca a encerrar suas atividades, desde 2015. A situação de desequilíbrio financeiro vivida por muitas transportadoras é visível em várias regiões do País. A crise econômica brasileira, a redução do número de passageiros transportados e a tarifa que não se adéqua aos custos operacionais, são os principais aspectos justificados pelos operadores.

É de conhecimento que o transporte público brasileiro, com os serviços de ônibus urbanos, vive um dilema que causa há um bom tempo o desgaste de sua imagem perante a quem os utiliza e à sociedade. Ano após ano, a mobilidade nas cidades fica prejudicada pela falta de compromisso dos gestores municipais em promover uma reestruturação na forma de deslocamento das pessoas. E a desvalorização do transporte público segue no mesmo ritmo do desinteresse do poder público na reformatação dos ambientes que sobrevivem em meio a falta de planejamento e ideais de evolução.

A falência não é somente de uma corporação, mas também de um segmento e até mesmo da estrutura urbana.

Longe de querer ser um economista ou especialista em falências, mas eu fico me perguntando se em meio ao caos dos sistemas de transporte, como uma empresa de ônibus pode se manter competitiva perante a concorrência. A quem interessa o encerramento de suas atividades, prejudicando a vida de milhares de pessoas, direta ou indiretamente? Acredito que, em sã consciência, ninguém pode apoiar tal fato.

Entretanto, os negócios nem sempre são duradouros. Estão sujeitos a economia de mercado e ao modo de gerir de seu senhorio. No caso de um insucesso, apenas os custos, a concorrência ruinosa e a tarifa baixa foram as responsáveis por sua queda? Não cabe aqui uma justificativa sem de fato conhecer os meandros administrativos, mas devemos também pensar que a má gestão (ou ainda a ausência do ideal de se fazer um líder ou um substituto no comando), a falta de compromisso e de respeito para com o negócio e administração, a desvalorização do capital humano, principalmente na arte da condução, a inexistência de uma melhor comunicação com seu cliente e o descompasso do poder público em oferecer condições mais adequadas ao sucesso operacional (falta de planejamento, gratuidades excessivas, carência de investimento em infraestrutura específica à operação, olhos fechados para o transporte irregular, insegurança, seja jurídica ou patrimonial) de um modal que anda sem referência, podem ainda ser fatores que contribuem com a ruptura organizacional.

No mundo corporativista de hoje, quem não se enquadrar ao moderno modelo de gestão, como uma visão de evolução, com planos e metas que permitam alcançar desempenho, viabilidade econômica e rentabilidade, além de oferecer bom atendimento, cordial relação humana e valorização profissional, está fadado ao fracasso.

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