Ônibus é do Brasil

O portal do jornal Folha de São Paulo, há alguns dias, mostrou que o prefeito paulistano João Dória se deslocou até Seul, capital da Coréia do Sul, para conhecer, dentre outras coisas, como funciona o sistema de ônibus urbano local. Nunca é demais ter o conhecimento do que bem funciona, com benefícios operacionais, viabilidade econômica e eficiência em métodos e sistemas.

Mas, convenhamos, será que é preciso mesmo importar experiências de sucesso vistas em cidades e países desenvolvidos e compromissados com uma mobilidade urbana moderna, sendo que o mundo do ônibus é muito bem conhecido aqui mesmo, em nossas plagas, onde podemos afirmar que detemos a capacidade para inserir o modal no contexto de paradigmas inovadores na forma como as pessoas podem se deslocar?

Trazer a tecnologia para dentro do ônibus, aspecto que permite conhecer muito de perto sua operação e ter respostas rápidas para os problemas que surjam, enquanto que seu deslocamento ainda continua a passos de tartaruga em meio ao caos urbanístico que facilitou a vida mecânica do transporte individual nas médias e grandes cidades, é um equívoco que compromete ainda mais a desgastada imagem dos sistemas.

Pode encher de penduricalhos tecnológicos os ônibus para provocar uma significativa modernidade ao veículo. Mas, se ele continuar sem a devida priorização operacional, por meio de uma arcaica gestão que não permita espaço dedicado, rapidez em seu fluxo, viabilidade ambiental e econômica, de nada adiantará todo esse ornamento previsto.

Conhecimento de causa temos há tempos e exportamos. Não precisamos nos deslocar 10 mil, 15 mil quilômetros para saber como implantar sistemas modernos de transporte. A cidade de Seul só se encontra evoluída em função de ações governamentais, com medidas e estratégias para o seu desenvolvimento sustentável. Se as grandes áreas urbanas brasileiras tiverem o mesmo tratamento, seriam bem melhores.

Vamos beber de nossa fonte, com transparência e interesse na qualidade vida dos cidadãos brasileiros. E senhor prefeito João Dória, valorize a indústria e o conteúdo nacional em relação à propulsão alternativa para os ônibus.

Imagem – Jorge dos Santos