Mudanças de paradigmas

Crescimento desordenado, carência de políticas públicas que facilitem o deslocamento das pessoas, trânsito caótico, poluição e ineficiência dos serviços de transportes são alguns aspectos enraizados na maioria das cidades brasileiras. Nesse contexto, urge transformações para se alcançar um novo modelo de urbanidade.

O caráter de habitalidade com dignidade só será possível se os desafios atuais forem vencidos com uma estratégia que inclui novos hábitos cotidianos, como a mobilidade sustentável e uma urbanização menos dependente do automóvel e construída para as pessoas. Porém, a falta de compromisso dos gestores públicos municipais para com os ideais de cidades inteligentes e inclusivas não permitiu avanços significativos em todas as áreas que compõem as suas estruturas. O movimento urbano é muito significativo. Em meados deste século, 70% da população mundial deverá se concentrar em cidades.

E os problemas só tendem a aumentar. Dentre eles, o transporte e a mobilidade precisam ser revistos para poderem contribuir com o desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, o transporte público deve ser atrativo e caracterizado pelo equilíbrio ambiental. Os ônibus urbanos, por exemplo, necessitam ter um novo patamar de evolução. Inteligência é o fundamento para o seu novo conceito.  Não serão mais aceitos veículos inadequados, com projetos ultrapassados, sem o mínimo de conforto para passageiros e motoristas. Também exigirão uma configuração especial, com tecnologia embarcada, para a inclusão na cidade inteligente. Na questão do meio ambiente, os ônibus serão silenciosos, com propulsão limpa que adota as múltiplas versões de combustíveis, corroborando com um ar mais saudável. Outro detalhe refere-se ao modelo de operação e gestão, comprometido com o bom desempenho das funções, para que o modal seja confiável, tenha regularidade e conte com o equilíbrio econômico.

É utopia? Parece que sim, em virtude de um Brasil formado pela abundância de culturas e maneiras de se gerir as cidades. Entretanto, pensar grande é uma forma de podermos avançar, mesmo em momentos críticos iguais a este por que passa nosso país.

Chega de pensamentos tacanhos, queremos a modernidade já e não no futuro. É essencial o trabalho em conjunto de todos os envolvidos com a cadeia produtora e de operação do veículo no País para alcançarmos projetos que visem uma nova geração de veículos e um novo sistema de ônibus, para que ele possa oferecer eficiência energética, custos operacionais otimizados e melhores serviços aos passageiros.

Temos que ser objetivos nas mudanças de paradigmas e ruptura de padrões. Só assim evoluiremos.

Legenda imagem – Um novo padrão de ônibus – em busca da modernidade do transporte

Imagem – Reprodução VDL Bus & Coach